quinta-feira, 7 de abril de 2016

To cansado

To cansado


Cansado de tudo por que nasci De mim que sou assim Dos outros que me queriam diferente Dos meus pais que me fizeram Do cosmo por que ta influindo Do meu signo por ser solar Do chocolate por que engorda Da capes que manda estudar Dos alunos que me fazem ser professor Da musica que nao me ensinou a cantar Do mar que insiste em ser emblematico Dos poetas que resolveram escrever Do dinheiro que nunca fica comigo Dos céus que nao cai sobre nós E claro nao menos importante Da vida que nao nos leva logo To cansado principalmente de ter que escrever.

J.M








quarta-feira, 6 de abril de 2016

A D E S P E D I D A

A D E S P E D I D A

meu poema saca
da varanda de tua vida
no ensejo se despede
minha louca alma varrida

tu, deusa fria
a sorrir pela janela
acena ao meu poema
e sopra: cuida bem dela

que poema leviano!
da minh'alma abusou
fê-la sua criada
a usou que emprenhou

ora, se teu poema singular
fez-te puta parida
o céu há de te expurgar
te vira, alma varrida!

não cais bem nos poemas
teu amor a ninguém serve
hoje só deplora e reza:
que ao menos o diabo
a mim, pobre alma, carregue

ó, musa deste poema
desce já de tua janela
lá em baixo está minhalma
a perecer por teu emblema
deusa fria mais que noite
desce e acende velas
que a desgraça está a fora
a minh'alma falecera


- Luane Macedo


(foto: Tarcila Virtuoso) 

sábado, 19 de março de 2016

eu não digo tudo

eu não digo tudo

tenho
um poema pra você
um poema antes de ser
um choro engasgado
um latim gasto
um elogio vago
um vocabulário repetido
um égua cheio de sentidos
não me lembro dele, como, desmaio da memória
uma adaga entre a palavra rimada e a garganta
o fio contíguo, o embrião da alma que elevou
outrora a própria alma, desliga-se lentamente.
um descuido de percurso, no limiar das curvas
os peixes saltam os portais, livres águas expurgam
os próprios peixes, seus habitantes.
o mar das águas claras esqueceu dos rios turvos,
ainda mais, das límpidas fontes que nunca correm
caminham lentas pra lá, os embriões  que sabem
seu trabalho, agora são fios que não sabem soltar.
as almas gélidas, saúdam a memória da saudade
e a saudade a própria ação, procrastinar ir além
de ócio e só saudade sentir.
discurso repetido, de novo e de novo, sempre o novo
e o medo, dele os fios, de nós o solto.
ligados a palavra, o fio e o mar rompendo a matéria
indo  lá e voltando cá, uma solta de boi, gado bravo
na extensão do tempo, meu relógio parou, no poema
este vórtice catalizador de pré coisas que vão não ser.
o poema, você o eterno e ir-vir da alma, liga e plaina
sobre a alma, equilibra a alma, desequilibra a alma, e
é a alma, indo e indo, lindo, sendo isso de luz, que a 
alma é, e eu não e oposto sendo e os três não sendo
o poema, o poeta e a poesia, os dois são, agora.
o poema não é.

Paulo Freire





quinta-feira, 3 de março de 2016

Sessenta e seios.

Sessenta e seios.

Os já citados seios de Mariana desenham um número. Número este ímpar, apesar do desenho de dois seis modestos. 66. Quando vendados encegam meus olhos num dia de tara. E quando despidos calculam. E Mariana entende bem de arte e veste renda. E quando puxo a palavra francesa atrás dos pomos, lá está A moldura que me escolheu a moça. Estendo dois éles, um perfeito e outro oposto, avesso, Com a envergadura de quarenta e seis centímetros medidos E eis o quadro de um número, apenas, da grandeza- Colo de desenho em palavra que salivar na boca. Sêxtuplo onze dos algarismos que se temem -Com o perdão da palavra- Nunca tive sede de número e sou “descalculíaco” Nota: Pessoa incapaz de calcular descalça. E quando eu toco a maciez maçã da macieira de teus pomos Entendo Páris. Vênus. Rsrs. Sim. Vênus é a deusa mais bela, sim. Escando um verso para tua boca com um número zero. E desenho o número neutro em cada seis que compões teu busto. Um grande zero oval e vermelho, a mordida. Desfaço os éles, desenho um binóculo, apalpo como cego. E juntando duas curvas eu crio um caminho. Há agora uma bifurcação nas linhas. É uma baladeira, um estilingue, uma pelota, um balim. Bem ali dentro escondido atrás de todo esse caminho É que escondes a destreza do teu miocárdio.Estou na mira.

Justino;


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sei lá

Sei lá.

I
Continuo não sabendo, não sabendo eu vou brincando de viver, viver na feliz indecisão do "sei lá".
II
Um eterno sei lá é minha vida. Perguntas e mais perguntas me afogam, eu me afogo em mar de "sei lá".


Pádua Silva












terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Lá vai ela


Lá vai ela

Nos fios de cabelo, uma passante.
Entre as multidões
dos pensamentos e sons
que habitam minha mente.

Pelos sentidos, ela caminhava.
sentindo, os arrepios a balançar os cabelos
ao longe, seus olhos risonhos
enquanto, flutuante em sonho, a beijava.

Um frenético silêncio se fazia
sentir ao ultimo contato, majestosa!
Embriagado por um beleza suntuosa
enquanto, flutuante em sonho, dizia:

Saudade, dos sons externos
dá, saudade de outros vazios.
Menina, de afagos no frio.
Me viaja, teus abraços eternos.


Paulo Roberto Silva Freire



(À une passante)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Brinde

Brinde. À liquidez das relações! Saúdo com meus versos A falsa autoestima Travestida na própria foto Na tela de bloqueio De um celular qualquer. Tim-tim. Narcisos de plásticos Nascem constantemente, Infinitamente, Inutilmente. Filho da massificação, Sem cheiro,sem cor E com muitos rótulos a ostentar. Tim-tim. Relações tão fugazes Quanto aquele olhar Dirigido ao desconhecido transeunte, Diferenciando apenas na retina-vida Que orficamente se transmuta em infinitas kalpas. As relações não. Nascem com o adágio da anomia Certificadas pelo envelope roxo de Saramago. Tim-tim. Vazio. Não o nada , apenas o vazio. Aquele singelo útero pós moderno Infecundo de vida E manjedoura das conveniências.

Pádua Silva